Arquivo | política RSS feed for this section

Prostituição e tráfico de pessoas na Alemanha

31 maio

Spiegel

Eu sei que acabou de passar uma novela no Brasil falando sobre tráfico humano (e que detonaram a novela). Tentando olhar pelo lado positivo, é uma iniciativa louvável tentar alertar a população sobre esse problema real. Olhando pelo lado negativo a novela pecou na trama e o assunto acabou sendo recebido como chato por muita gente. Mas é um assunto sério que exige mais e mais mídia. Por isso vou postar hoje sobre matérias de jornais e revistas daqui na Alemanha que falam sobre o tema prostituição o e sobre sua associação direta com o tráfico humano.

Vou me concentrar mais na matéria da revista Spiegel que foi muito bem detalhada. A capa da revista Spiegel dessa semana discorre sobre a ineficiência das autoridades alemãs no controle da prostituição no país. Em 1º de janeiro de 2002 entrou em vigor uma lei que legalizava a prostituição na Alemanha. A ideia era que dessa forma o controle do setor do sexo se daria de maneira mais eficaz. Infelizmente passado pouco mais de uma década o que se ver é que pouco mudou. A revista faz uma comparação que para abrir uma lanchonete móvel é necessário requerir um standard DIN 10500/1. Com um bordel, quem o abrir deve apenas informar as autoridades que o fez. Não é necessário mais nada.  A revista questiona se as leis a cerca da prostituição no fim das contas não ajudem os traficantes.

Na materia, a revista entrevista ex-vítimas de tráfico humano. Uma delas por exemplo conta como chegou na Alemanha, e que no mesmo dia já teve que atender a clientes. Quando a policia batia no bordel ela ja tinha o texto decorado. Se a polícia as deportasse era tinha que retornar ao bordel por conta própria. Ela trabalava num bordel onde os clientes pagavam 100 euros e podiam ficar o tempo que quisessem com as prostitutas, um sistema de flat-rate.

A revista Spiegel ainda é irônica ao falar dos dados oficiais do governo alemão a respeito do tráfico humano. De acordo com a polícia federal a Alemanha não tem um problema com tráfico humano. Apenas 636 casos foram reportados, um terco a menos que dez anos antes. Dessas casos, 13 consistiam em menos de 14 anos e 77 eram menores de 18. Outra questão interessante no artigo diz respeito as leis contra prostituição na Suécia. Desde 1999 é ilegal comprar servicos sexuais lá. Dessa forma se pune não as prostitutas e sim os clientes. Apesar do governo sueco ter sido duramente criticado por sua postura “conservadora”, o resultado dessa política se mostrou positivo. Antes um em cada 8 homens já haviam se encontrado com prostitutas. O número caiu para 1 em cada 12 homens. E se v’e uma tendencia de envergonhamento por parte daqueles que ja foram clientes. A prostituição na Suécia é ainda uma realidade, mas o número de ruas “especializadas” em prostituição caiu pela metade e o número total de prostitutas estimado caiu de 2500 para de 1000 a 1500.

Na Alemanha a legalização da prostituição é bem aceita entre a maioria da população, segundo a revista, ou pelo menos tolerada. Enquanto a Suécia ve a prostituição como uma forma de exploração da mulher, na Alemanha os que ousam em mostrar uma opinião contrária são acusados de moralistas e puritanos. Apesar da prostituição estar associada a diferentes setores do crime (alem de tráfico humano, tráfico de drogas etc.), segundo a professora de direito da Universidade da Universidade cooperativa do estado de Baden-Württemberg, Rahel Gugel, o governo não tem interesse em dar uma devida atenção ao tema.

A matéria da revista foi criticada por prostitutas e grupos a favor da prostituição. Uma das entrevistadas da revista inclusive acusa que eles usaram o que ela falou para fundamentar seus argumentos. A matéria foi porém originada após resultados de estudos de pesquisadores que afirmam que a legalização falhou no seu objetivo. Não apenas a revista Spiegel como outros jornais e revistas online também dedicaram espaco para matérias a respeito.

Fontes:

Spiegel Online em inglês. A versão alemã foi apenas impressa.

Augsburger-Allgemeine: A história de uma garota que era obrigada a se prostituir 10 horas por dia.

Der Westen: Explode o número de prostitutas da Europa oriental em Bochum.

Presserelations: Partido verde exige mais proteção legal à prostitutas.

Brigitte: 10 fatos sobre a prostituição na Alemanha

>Imprensa, imprensa que sai um presidente

3 jun

>


 A sede presidencial da Alemanha, o palácio Bellevue, continua vazia. Com as eleições marcadas para o dia 30 de junho, a imprensa alemã está na competição para ver quem da o palpite mais certeiro.
De especulação a especulação, grande parte da mídia acredita que a ministra do trabalho Ursula von der Leyen vai levar o cargo.Mas na contramão dos concorrentes colegas, o site Spiegel Online diz com toda certeza que a ministra não vai ser presidente!

A imprensa alemã em peso aposta no nome de Ursula von der Leyen para a nova presidenta da Alemanha. Como a Alemanha já tem uma mulher no cargo de chanceler, a eleição de von der Leyen seria então um marco na história política do país, que teria duas mulheres nos dois mais altos cargos executivos: além da chancelar, também uma presidente. Muitos jornais na televisão já até exibiram típicas imagens de corrida eleitoral com a ministra do trabalho brincando com crianças e em outros eventos importantes. Parece até que há uma torcida para que ela realmente seja eleita.Porém o Spiegel Online de hoje publicou uma matéria na qual eles afirmam categoricamente que o nome de von der Leyen só está em cotação no meio jornalístico.

Será um furo de jornalismo ou um blefe do jornal? De qualquer forma o Spiegel Online argumenta que fontes pertecentes ao círculo da coligação que compõe o governo alemão (CDU/CSU/FDP) garantem que Ursula não é a favorita como grande parte da imprensa alemã acredita. Há muita gente contra a candidatura da ministra dentro da coligação, como o governador de Niedersachsen Christian Wulff, que além de ser contra ainda se considera o melhor nome para representar a coligação para o cargo à presidência. Modesto ele né?
Mas o que isso traz de relevância para o leitor alemão (e você brasileiro também)? Nada. Ainda mais porque na Alemanha não existe voto direto para presidente como eu já expliquei aqui no blog. Falar sobre quem são os possíveis candidatos é só uma forma de despertar a curiosidade e o espírito especulativo que habita em cada um de nós (filosófica eu né?). Eu estava me recusando a falar sobre o assunto até agora, mas ao abrir o site do Spiegel Online e ver essa matéria sendo apresentada como quase um furo de reportagem, não resisti e tive que vir compartilhar com vocês. Imprensa é imprensa em qualquer lugar do mundo né?!

>Eleição para o próximo presidente da Alemanha

1 jun

>

Com a renúncia do presidente Horst Köhler a Alemanha o presidente do Senado enviou já uma carta ao órgão responsável pela escolha do novo presidente. Esse órgão é formado pelo que seriam deputados e senadores no Brasil.
Na Alemanha as eleições ocorrem de maneira diferente tanto do Brasil como dos Estados Unidos.

Os eleitores não votam diretamente para presidente. Eles escolhem os partiddos e parlamentares. Alguns desses parlamentares, junto com deputados, irão formar um órgão que escolherá o presidente. Quando o presidente for escolhido, ele então indica o chanceler ou a chanceler, e sua indicação será votada entre os parlamentares.Complicado né gente? Mas é provável que um presidente da coligação CSU/CDU/FDP seja eleito, afinal eles são maioria no parlamento como vocês podem ver na tabela abaixo:
Segundo ainda o site Spiegel Online, A atual chanceler Angela Merkel pediu que o presidente pensasse mais antes de tomar a decisão, mas não teve jeito. o motivo da renúncia do presidente foi uma recente polêmica envolvendo uma afirmação do presidente que a Alemanha deve defender seus interesses internacionais, defendendo dessa forma as tropas alemãs no Afeganistão. A crítica não perdoou o presidente que resolveu abrir mão do cargo.

Mesmo após a renúncio o presidente continua sendo alvo de críticas da oposição. O presidente do partido verde die Grüne diz que crítica faz parte do processo democrático e quem se expõe na vida pública deve estar preparado para as críticas. Já o presidente do partido da esquerda acredita que a renúncia aprofunda a atual crise pela qual o governo alemão passa.

>Presidente da Alemanha renuncia

1 jun

>

Acabei de abrir Spiegel Online e mal consigo acreditar no que acabei de ler. O presidente da Alemanha Horst Köhler acabou de renunciar!
Um pronunciamento sobre a orientação da política estrangeira e sobre a Alemanha ser livre para agir em questões internacionais aumentou ainda amis a crise com o Afeganistão.
Köhler chegou a se pronunciar sobre o fato ter sido um mal entendido, mas parece que as pressões sobre o presidente foram tão fortes que o levaram a pedir a renúncia. É a primeira vez na história da Alemanha, desde 1949 que um presidente renuncia. Ele foi o nono presidente do país e agora ao sair da presidência parece deixar a Angela Merkel e o partido em maus lençóis…

  Foto: Presse.Nordelbien

>FDP é partido na Alemanha

1 jun

>

Ok, eu vou avisando que fiz uma propaganda meio enganosa ali em cima, mas vou esclarecer tudo agora. É bem verdade que existe o partido FDP aqui na Alemanha. Quando eu vi eu pensei numa generalização beeem geral e mergulhando nos clichês:
“Esse deveria ser o partido dos políticos brasileiros!!!!”
Mas antes de entrar no assunto dos partidos, vou tentar dar uma pincelada sobre o sistema político alemão.
A Alemanha, apesar de ser uma república, tem um sistema político que se difere muito do sistema político brasileiro. É uma república parlamentarista. *a foto o Bunmdestag e a jeca que lhes escreve 🙂
O voto não é obrigatório. O povo elege de quatro em quatro anos os membros do Bundesrat e Bundestag que seria uma assembléia legislativa e um senado, digamos assim. O sistema de votos é bem complexo, já que combina o voto direto com representação proporcional. O Bundestag elege o Kanzler (Chanceler) e o Bundesminister (ministro de estado) e os dois escolhem o presidente.
Quem trabalha de verdade é o Chanceler, o presidente é mais uma figura representativa e também é o homem da caneta, é ele quem aprova ou reprova uma lei.
Quanto aos partido, esses são muitos, vocês podem encontrar no site Alles Klar.
Lá vocês poderão encontrar a relação não só de partidos mas como de movimentos políticos também (pelo que eu entendi).

Mas pra quem morre de preguiça de clicar em links (assim como eu hehehe) aí vi a relação dos mais importantes:
CDU – Christlich Demokratish Union (União Democrática Cristã) Tem mais de uma data de fundação, porque foram varios movimentos em locais diferentes (Berlin, Rheinland, Königswinter e Goslar) que resultaram no atual partido: 26 de junho de 1945, 11 de maio de 1950 e 20 a 22 de outubro de 1950. É o partido da atual Chanceler Angela Merkel.
CSU – Christilich-Sozial Union (União Social Cristã) Fois fundado em 8 de janeiro de 1946. É uma fracção do CDU, são chamados partidos ir
mãos. Ambos partidos são cristãos (ooohhhhh) conservadores.
FDP – Freie Demokratische Partei – desde 1949. Não é o que você está pensando!!! Partido Livre Democrático
SPD – Sozialdemokratische Partei Deutschlands – desde 1949. Partido Social Democrata da Alemanha.
GRÜNE – Bündnis 90/Die Grünen – desde 1983. Partido Verde, como você já deve ter concluído por si mesmo, esse é o partido ecológico.
LINKE – Die Linke – desde 2007. A Esquerda, o nome já diz tudo. 🙂 Fundado em 2007 através da fusão com o partido PDS (Partido Democrático Social) com o WASG (Direitos Sociais e de Trabalho – O Voto Alternativo).
PDS – Partei des Demokratischen Sozialismus – 1990-2007. Atualmente faz parte do partido da esquerda, como já disse ali em cima.

No gráfico abaixo o número de cadeiras e a divisão por partido. 

Além desses que eu citei ainda tem um que não tem uma representação em votos muito grande, mas que é a sombra da história contemporânea alemã, o NPD (Nationaldemokratische Partei Deutschlands). Esse partido é um resto  do Nazismo e tem mais foça na Alemanha oriental, a parte que foi governada pela União Soviética. (Mais informações sobre essa parte da história vocês podem encontrar mais abaixo). É um partido legalizado e digamos que é uma pedra no sapato do governo alemão que desde o fim da guerra vem tentando construir uma imagem de uma alemanha amiga de estrangeiros, preocupada com a melhoria de vida dos imigrantes e a integração deles na sociedade alemã. Aliás a imigração na alemanha é um outro tema que merece muito um novo poste. Em breve (espero que num bree breve de verdade hehe) eu vou escrever um poste sobre isso. Acho que eu poderia entrar para a política né? 🙂

Quem quiser saber mais sobre o partido NPD eu recomendo uma pagina semelhante ao wikipedia, o Metapedia.
Caso você tenha alguma sugestão, critica, informação adcional ou encontre alguma informação errada aqui é só deixar um recado ok?!
%d blogueiros gostam disto: