Uma diletante na Alemanha. Exposição de uma brasileira.

6 jun

A foto do hotel russischer Hof não ficou perfeita… mas esses meninos olhando pra loca aqui retratam a cara da galera enquanto eu fotografava com uma mão segurando a câmera e a outra a foto.

Eu sumi, eu sei. Até do Facebook eu tenho desaparecido. Razões são muitas… A vida de estudante-esposa-dona-de-casa-e-pseudo-artista é tensa. Tantas coisas aconteceram nos últimos dias, meses, que fica difícil eu escrever algo sem passar para o lado subjetivo e de maneira muito resumida, mas tentarei. Em março meu marido fez as provas finais e resolver dar um tempo fora de Jena, melhor, da Alemanha! Fomos nós para o Brasil com passagem comprada três dias antes do embarque. Eu estava preparando ainda as fotos da exposição que começou dia 23 de março e ainda trabalhando na minha animação para planetário. Além disso tinha que montar um pequeno livreto com minhas histórias baseadas num projeto meio ficção científica de uma chinesa que seria – e foi – usado para divulgar o festival de Fulldome (planetário) aqui em Jena. Passagem marcada às pressas, encontro com meus professores e curadores da galeria marcada na correria também, e finalmente eu consegui fazer todas as fotos que faltava. Fui pro Brasil dia 11 de março e voltei dia 11 de abril. Um mês certinho. Cheguei já começando aulas, projetos novos e coisas para ler que não tem fim. Ja estou sedenta de férias! No final do texto um slideshow com o resumo da ópera. Viel Spaß!

A Exposição

Depois de um semestre tentando de cá e dalí em ter um conceito que agradassem meus professores finalmente na minha última chance (são nessas horas que eu digo: Deus existe!) eu consegui algo que fosse aprovado para participar da exposição (a exposição fazia parte do curso diletantes digitais). O tema era exatamente o diletantismo. Mas afinal o que é isso? Diletante era todo aquele nobre rico que nao tinha mais nada para fazer na vida e inventava um hobby. Parece algo meio sem necessidade, mas muita coisa científica foi descoberta através dos diletantes. Vai no google e digita diletantismo ou diletante e olha a página da Wikipedia. Há bons exemplos la. Os diletantes eram bem vistos na sociedade, haviam grupos de pessoas que se interessavam pelo mesmo tema e que se encontravam para trocar idéias. Mas um belo dia Goethe Schiller levantaram de mal humor e detonaram os diletantes num ensaio contra o diletantismo! Detalhe, mais diletante que Goethe, só o Da Vince mesmo! O ensaio nem foi publicado, mas caiu em conhecimento geral, o que hoje diríamos, vazou na net. Por causa disso o termo diletante passou a ser referido como algo mal feito, amador, ou seja, com uma conotação negativa. O objetivo do curso era resgatar esse sentido do diletante como alguém que faz algo por paixão, por prazer e estabelecer até quando alguém é diletante e a partir de quando se torna um profissional. Diletantismo está muito correlacionado ao autodidata e ao gênio. Foi essa raiz que foi buscada no curso. O tema foi muito difícil de trabalhar já que ao mesmo tempo que parecia que tudo era possível, haviam certas coisas que não se mistravam cabíveis e encontrar essas fronteiras entre “arte” e “não arte” diletante foi um suplício. No final eu consegui um conceito. Como brasileira que nasceu numa geração saindo da ditadura militar, eu peguei fotos do fotógrafo Claus Bach feitas em Weimar na década de 70, 80 e também em 1990 e revisitei os locais. Eu fiz uma sobreposição: A foto em preto e branco foi colocada em primeiro plano e a paisagem atual ficou em segundo. Foi uma maneira de revisitar esse período comunista que para muitos no Brasil guarda uma áurea por ser o contrário do que tivemos, mas que para os alemães da alemanha oriental é a mesma cicatriz que nós temos ao revisitar nossa história. Encontrar pessoas na rua para pedir orientação foi gratificante… Eu buscava intencionalmente pessoas mais velhas que pudessem ver a foto e por alguns segundos ser retransportada para aquela época. Todas paravam, queriam ver a foto com mais clareza, ver o lugar e falavam o que mudou, o que continua igual, o que aconteceu com elas ali…  Nos dias antes de ir para o Brasil eu nao tive esse tempo, ainda bem que o trabalho estava adiantado. No fim das contas eu não estive presente na premiére da minha exposição, mas estava no quentinho do Brasil comendo arroz, feijão, taioba, pão de queijo, queijo minas e tudo de gostoso da nossa culinária (claro, sem carnes pois sou vegetariana :D). A exposição aconteceu na ACC Galerie Weimar.

Divulgação do Festival do Planetário

Um dos meus outros projetos no semestre passado foi elaborar um plano de divulgação para o festival. Como personagem sobre o qual deveríamos refletir estava o deus romano Janus. Eu montei muitos textos baseado nele. Cunho filosófico, científico e até histórico. Mas quem diria, foi  na comédia que eu acertei. Uma chinesa montou um projeto de um óculos-máscara que permite que vejamos também o que acontece atrás de nós, característica desse deus que tem duas faces. Eu então me encarreguei de escrever opniões de clientes, tipo o Kunderezension do Amazon, para tornar o projeto mais real. Um homem, uma mulher e o próprio deus Janus foram meus personagens escolhidos. Na saga do deus Janus ele foi convidado pela deusa Venus para participar do Fulldome Festival Jena, mas pegou uma conjuntivite e só não desistiu pois a deusa insistiu muito para que ele fosse. No festival ele encontrou o produto sendo vendido e comprou um para ele. A idéia agradou o professor, e no final, o festival que teria a presença apenas do Janus foi coroado também com a presença de Vênus (detalhe: uma Vênus chinesa). Eles estamparam todas capas de jornais da região e sites especializados na mídia. Foi muito legal ver uma idéia ter tamanho sucesso. Animação no Festival Fulldome em Jena O Fulldome Festival de Jena foi om primeiro festival organizado por planetários no mundo. Aliás, o planetário de Jena é o mais antigo planetário do mundo. O festival foi incrível, pelo menos a parte que eu fui. Gente do mundo inteiro mostrando que a mídia do planetário pode mais do que mostrar apenas planetas. Efeitos visuais, illusão de ótica, som e até performance artística e de VJs. O VJ Pedro Zaz, que vai atuar no palco do programa da Fátima Bernardes, deu um workshop que deu o que falar… Eu infelizmente perdi. Fica para uma próxima. A minha animação e da Katja Loos, não foi uma super produção como as outras, afinal foi nosso primeiro trabalho e de minha parte, meu primeiro contato com os programas de animação. Mesmo assim a sensação de ver nosso trabalho naquela cúpula foi indescritível. Isso foi oq ue eu fiz até maio. Agora estou trabalhando na minha nova animação para o ano que vem e fazendo aulas teóricas de museu e filme experimental com centenas de páginas para ler por semana (sem exagero!). Conforme for abrindo brechas na minha agenda eu vou postando mais aqui. Auf Wiedersehen, ops Wiederlesen😉

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