>Joachim Gauck, uma pedra no sapato da Merkel

23 jun

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Eu já andei escrevendo sobre política da Alemanha por aqui. O presidente que renunciou, a corrida para achar novos candidatos e enfim a coligação que está no poder encontrou o seu representante, o Wulff como ja postei aqui. Mas o fato de Wulff ser o candidato do governo, não significa que o posto de presidente é dele!
A oposição encontrou um candidato a altura. Um político apartidário (existe isso no Brasil? Um político pode existir sem partido?) pastor da igreja Luterana que durante a ditadura comunista da RDA fez parte da revolução pacífica, Joachim Gauck. Grande parte da mídia parece ter apoiado a escolha da oposição e tem dado destaque a Gauck em suas matérias. Isso não tem agradado nada o candidato do governo que já fez declarações públicas de estar se sentindo deixado de lado pela mídia, que estaria influenciando assim a opinião pública. Na minha opinião essa é uma infeliz declaração, já que o povo não vota para presidente, o presidente é escolhido por um grupo de políticos, ok tem civis também, mas são pessoas esclarecidas e que tem noção sobre como a mídia funciona.
O que eu acredito que realmente está acontecendo, é que o candidato está desesperado por conta da crise que tomou o governo alemão. Vocês pensam que só políticos brasileiros fazem promessas de campanha e depois não cumprem. Pois aqui isso também pode acontecer. Angela Merkel e cia. prometeu que não mexeria nos auxílios sociais para conter a crise financeira. E qual foi a primeiroa coisa que ela fez quando a situação ficou preta? Justamente cortar benefícios dos mais pobres e aumentar os beneficios dos ricos! Só posso dizer que a Alemanha está revoltada com essas ações e até pedidos de novas eleições eu já tenho ouvido por aqui. Outro agravante no governo é o interesse da Merkel de continuar apoiando as indústrias de energia nuclear. A maior parte dos alemães já são contra esse tipo de produção energética. Ja tem uma lei que diz que a Alemanha tem dez anos para abandonar a enegia nuclear, mas a Merkel quer porque quer prolongar esse período para no müinimo 20 anos. Não se contentando em apoiar somente a produção desse tipo de energia na Alemanha, ela foi duramente criticada pelas comunidades internacionais por se tornar fiadora do Brasil no projeto Angra III. Sei que tocar nesse assunto com os brasileiros é delicado, pois o espírito ufanista, resquício da ditadura, ainda está impregnado na cultura brasiliera. Mas segundo o que eu li em jornais onlines, revistas onlines e em sites de organizações ambientais, não dá pra ficar feliz com a construção da terceira Usina em Angra não! O primeiro motivo contra a produção de energia atômica em qualquer lugar do mundo é: O que fazer com o lixo radioativo? Vamo enterrá-lo e deixar que poluam o lençól auqático? Onde colocá-lo? Normalmente o lixo é enterrado numa câmara protegida contra vazamento. Mas essa proteção tem um prazo de validade. o que fazer com isso depois? 
No caso das usinas brasileiras existe o agravante delas estarem contruídas em Angra, um local  que é  atingido por abalos sísmicos, geralmente leves. Como implantar uma usina tão delicada e perigosa em um local assim? E por último a tecnologia usada na Angra III é uma tecnologia sucateada que desde a década de oitenta foi proibida de ser usada na Europa por não ser segura! Agora me digam, porque a Merkel colocou a Alemanha pra ser fiadora do Brasil? Com certeza ela ja viu que o Brasil não vai dar conta do recado e logo vai ficar em dívida com a Alemanha. Simples assim né! Pois é, mas atitudes como essa da chanceler tem revoltado cada dia mais os alemães. E dizem as más línguas, que a renúncia do presidente Köhler nada tem a ver com sua afirmação sobre a soberania alemã. no Afeganistão. Köhler se mostrou contra a política de Merkel, contra usinas nucleares. Mesmo assim parece ter sido obrigado a assinar muitas leis mesmo contra sua vontade. Por isso sua saída agravou ainda mais a crise no governo, porque ficou claro que algo alí não está caminhando bem e abriu espaço para muitas especulações. 
No Twitter os alemães tem falado muito sobre o desejo de poder votar diretamente no presidente do país, como fazem outros países democráticos. É gente, a coisa por aqui ta esquentando mesmo!
No discurso que Gauck fez no teatro alemão ontem, ele levou o público às lágrimas. Falou sobre o quanto o número de alemães que votam tem diminuído. Com dificuldade para falar por conta da emoção ele se lembrou da primeira vez, no dia 18 de março de 1990, que ele foi às urnas e saiu de la com lágrimas de alegria falando com os que estavam ao lado dele: “Eu votei!”
“Ich blicke zurück und sehe mich am Vormittag des 18. März 1990 aus dem Wahllokal kommen – mit Glückstränen im Gesicht. Und ich sage zu dem Menschen neben mir, was der doch schon weiß: ‘Ich habe gewählt'”.
Fica a lição para nós brasileiros que reclamamos do voto obrigatório e não nos demos conta ainda do poder que nosso voto tem: Antes ser orbigado a votar do que ser obrigado a se calar!

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