>Muro de Berlim

1 jun

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Alemanha. Seja  sincero, quais as primeiras coisas que lhe vem a mente?
Acho que as duas primeiras coisas que geralmente vêm à cabeça quando se ouve Alemanha são Adolf Hitler e o Muro de Berlin.
Se você discorda, então comenta e diz em que você pensou.
Felizmente, hoje a Alemanha é muito mais do que as sombras do Nazismo (apesar que ainda exista grupos neonazistas, mas eles são uma pequena minoria). Mas de qualquer forma eu resolvi falar sobre o Muro de Berlin, porque só aqui na Alemanha eu pude entender realmente o que ele significa.
Para começo de conversa, tudo começa lá no final da 2ª Guerra. Com a morte de Adolf Hittler, e a derrota da Alemanha, os Aliados (EUA, França, Inglaterra e URSS) dividem o país entre si  e então surge o BRD (Bundesrepublik Deutschland ou República Federativa da Alemanha – Capitalista) e o DDR (Deutsche Demokratische Republik ou República Democrática da Alemanha – Comunista).
Apesar do país estar dividido politicamente,  não havia uma barreira eficiente que evitasse o fluxo dos alemães orientais para o ocidente, foram mais de 1 milhão (há quem diga até 3 milhões) de alemães que conseguiram migrar do lado comunista para o lado capitalista, já que a Alemanha Ocidental se recuperava muito bem da guerra devido o milagre econômico, o Wirtschaftswunde, que foi bem diferente do milagre econômico que conhecemos no Brasil. Com o dinheiro que os americanos injetaram na Alemanha, eles trataram de reerguer suas indústrias e investir em educação e tecnologia, além de restaurar os monumentos antigos destruídos durante a guerra para fomentar a indústria turística.
Já para os alemães orientais a situação era crítica, eles saíram do espeto e caíram na brasa,  pois  se livraram do poder tirano de Hitler e ficaram sob a guarda da ditadura de Stálin, uma experiência sem igual no século XX.

Continua aí embaixo…

o autor Johannes Beck fala um pouco sobre a história do Muro de Berlin:
” ‘Alemanha, país unido’ canta o hino da extinta Alemanha Oriental. Quando a República Democrática da Alemanha foi fundada em 1949, a unificação alemã ainda era um objetivo da política do Partido Socialista Unitário, SED, que governava o país. Anos mais tarde, o ideal de uma Alemanha unificada e comunista foi abandonado e, como sinal disso, o hino passou a ser tocado apenas na sua versão instrumental.
Foi a própria população da República Democrática da Alemanha que acabou com este ideal de unir as duas Alemanhas num país socialista. Em vez de participar, como tinha esperado o Partido Socialista, da construção de uma sociedade comunista, muitos abandonaram a Alemanha Oriental e fugiram para o Oeste.
A chamada ‘votação com os pés’ ameaçou desde cedo a existência da RDA: Entre 1949 e 1961 saíram um milhão e seiscentas mil pessoas do país, quase dez por cento da população total da Alemanha Oriental.
No dia 13 de agosto de 1961 o mundo foi surpreendido com a construção de um muro na fronteira entre a parte oriental e a parte ocidental de Berlim.
À meia noite de 13 de agosto de 1961, a parte ocidental de Berlim foi hermeticamente isolada para evitar mais fugas da parte oriental. Tropas e policiais da RDA cortaram todas as ruas que atravessavam a fronteira, pararam os trens e ônibus e fecharam a fronteira com arame farpado para mais tarde construir um muro de concreto.
Este muro, com uma altura de três metros, separou bairros, cortou cemitérios ao meio e até fechou entradas de igrejas. O pior se passou na Bernauer Straße. Hagen Koch, que participou da construção do muro conta:
‘A Bernauer Straße foi um caso especial: as paredes das casas delimitavam a fronteira e por isso não foi possível construir um muro neste trecho. Nem podia haver soldados na rua para vigiar a fronteira, porque a rua fazia parte do território da Alemanha Ocidental. Os soldados ficaram nas casas para evitar a fuga pelas janelas. Quando os moradores da Bernauer Straße se deram conta de que os soldados começavam a fechar as janelas e as portas das suas casas, tentaram saltar dos pisos superiores, alguns até do terceiro e do quarto andar. Um soldado, Konrad Schuhmann, que estava perto para vigiar a Ruppiner Straße, viu tudo, achou que não podia colaborar com esta ação e saltou com a sua arma por cima da fronteira.’
Ele foi o primeiro soldado a fugir durante a construção do muro para o Oeste e até foi fotografado. A foto dele, saltando sobre o arame farpado que dividia as duas partes de Berlim, viria a ser uma das mais famosas do mundo.”
Konrad Shuhmann 
Entre 1949 e 1961, quase 3 milhões de pessoas mudaram de lado, sendo mais de 3 mil médicos, 17 mil professores e 17 mil engenheiros. Essa fuga de trabalhadores qualificados ameaçava a economia da Alemanha Oriental e as autoridades do país decidiram conter o êxodo isolando aos poucos a parte ocidental de Berlin.
Como foi dito no trecho acima, ruas foram cortadas, assim como trechos de ônibus e bondes e até cemitérios, mesmo assim não foi possível controlar o fluxo de pessoas que fugiam para a Alemanha capitalista.
Em novembro de 1953, a Alemanha Oriental transformou a entrada não-autorizada de seus cidadãos nos setores ocidentais em infração punível com até quatro anos de prisão. Como as fugas continuavam, a opção foi o fechamento total da fronteira entre os dois lados de Berlim em 1961. Na madrugada entre os dias 12 e 13 de agosto daquele ano, a construção do muro começou com a colocação de barricadas e cercas de arame farpado. Em questão de horas, todos os pontos de acesso a Berlin Ocidental estavam completamente fechados. A Alemanha Ocidental ficou cercada, o muro circulou a cidade.
A construção da muralha em 1961 durou poucos meses e, nos anos seguintes, ela seria constantemente reforçada, passando por três grandes reformas em 1962, 1965 e 1975. Mesmo assim, mais de 5 mil alemães orientais conseguiram escapar para o lado ocidental e outras 239 pessoa morreram tentando fazer o mesmo.
E o restante da história vocês já conhecem né? O muro permaneceu lá até o dia 9 de novembro 1989, sendo um dos símbolos da Guerra Fria.
No curso de alemão nós vimos uma fita sobre a queda do Muro de Berlin e foi uma das melhores coisas que me aconteceu durante o curso, porque vendo as imagens, os jornais da época, eu pude entender melhor o sentimento do alemães em relação a isso. As pessoas se abraçavam, choravam, parentes que não se viram durante toda a duração do muro, choravam e se abraçavam, se beijavam, era uma coisa até meio gay de se ver (sem preconceito tá pessoal!!).
Mas a ferida que machucava Berlin,  não cicatrizou de imediato. Existia ainda o controle de entrada e saída das Alemanhas, algo como uma Alfândega, eles tinham que apresentar Passaporte e tudo para poder adentrar nos limites da Alemanha Ocidental, e o mesmo para quem queria ir para Alemanha Oriental. Isso porque mesmo depois da queda do muro, a Alemanha só se decidiu oficialmente pela reunificação no dia 3 de outubro de 1990.
Além disso, as imagens mostravam o engarrafamento que isso causou, essa corrida frenética por ver, para muitos até pela primeira vez, o que ficou do outro lado do muro. As pessoas do lado oriental iam para os bancos ocidentais, fazer empréstimos para viajarem e comprarem coisas na Alemanha ocidental, e faltava pouco elas beijarem o dinheiro, to falando sério mesmo!!! Eu fiquei pensando em quanta gente deve ter ficado endividada depois disso, sei lá, mas não achei muita coisa sobre a história financeira da alemanha durante a queda do muro não, isso são só minhas impressões pelo que eu vi dos noticiários da época. Só sei aquelas coisas que a gente estuda na escola, crise financeira por causa de desemprego e blá blá blá…
No Youtube eu não achei esses videos, mas achei outros. O mais legal que eu encontrei foi esse mostrando a retirada do muro, partes dele sendo retiradas de Helicóptero, ah, acho isso muito emocionante. Será que alguém saiu ferido enquanto tiravam o muro, não sei porque, mas essa dúvida não me deixa em paz, eu acho que eu não seria boba de ficar lá com um helicóptero sobrevoando minha cabeça carregando um pedaço de muro!
PS: Uma coisa que eu achei super legal quando eu visitei Berlin, é que eles vendem cartoes, chaveiros com pedaços do muro, ou então eles vendem só mesmo o pedaco do Muro. Há muita gente que não acredita que seja original, parece aquelas coisas da história, que a Igreja Católica vendia pedacos de madeira falando que era da cruz de Cristo. Mas como eu sou macaqueira, não aguentei e comprei um pra mim e pra mandar pro Brasil também (e o negócio tá mofando no meu guarda-roupa há três meses, não mandei até hoje).

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